(Extraído da monografia do autor O CICLO DE VIDA DE UM PRODUTO AERONÁUTICO x
HOMOLOGAÇÃO)
Nos primórdios da aviação, as aeronaves nasciam da iniciativa pioneira de abnegados
inventores que superavam, empiricamente, as barreiras do desconhecido. Evidentemente, o
produto final também era desconhecido e costumava surpreender o inventor ou o infeliz
usuário. O época empírica da aviação, incipiente e circense, também foi
conhecida como a época da aviação romântica.
A evolução da Ciência & Tecnologia e a profissionalização da atividade
aeronáutica transformaram o avião no meio de transporte mais seguro e numa das armas
mais temida. A aviação romântica ficou reduzida à imaginação dos saudosistas, ao
amadorismo e ao aerodesporto.
Nos dias de hoje, são imperdoáveis os insucessos no desenvolvimento de uma aeronave, bem
como suas catastróficas falhas em operação. Tal eficiência é permitida pelo domínio
completo dos projetos que exigem um conhecimento completo de todas as fases pelas as quais
passa uma aeronave, o seu ciclo de vida.
O Ciclo de Vida de um Produto Aeronáutico (ou Aeroespacial) é uma reunião ordenada,
lógica e racional de todas as atividades referentes a um determinado produto para
aplicação em aeronáutica ou espaço. Evidentemente, as aeronaves representam produtos
especiais neste setor, sendo por isso particularizadas doravante.
O conhecimento e o domínio das fases do Ciclo de Vida de Aeronave é uma característica
dos países com indústria aeronáutica desenvolvida, dentre os quais o Brasil tem seu
espaço.
Didaticamente, as fases do Ciclo de Vida de uma Aeronave, com suas principais
peculiaridades, compreendem:
| Definição das diretrizes pelo levantamento das necessidades e fixação de requisitos. | |
| Análise das possibilidades de execução física e financeira. | |
| Planejamento e execução do projeto da aeronave concebida, gerando dois conjuntos de documentação, Documentação de Projeto e Documentação Destinada aos Usuários. | |
| Construção de exemplares em série conforme o projeto. | |
| Providências do operador para utilizar a aeronave. | |
| Operação e manutenção da aeronave, conforme a Documentação Destinada aos Usuários. | |
| Atualização do projeto para corrigir falhas ou introduzir melhorias, com conseqüente atualização da documentação e da frota. | |
| Afastamento do serviço de aeronave, por não mais atender ao projeto ou interessar economicamente. |
| Estabelecimento de Requisitos. | |
| Aprovação de Cálculos, Desenhos, Relatórios, Protótipos, Instalações de Ensaios e Documentação. | |
| Aprovação de Manuais de Controle de Qualidade; Realização de Auditorias; Avaliação de Exemplares e Homologação de Distribuidores e Fornecedores. | |
| Homologação de Empresas Operadoras, Qualificação de Tripulantes, Levantamento de Dificuldades em Serviço e Emissão de Diretrizes de Aeronavegabilidade. | |
| Homologação de Empresas de Manutenção, Levantamento de Dificuldades em Serviço e Emissão de Diretrizes de Aeronavegabilidade. | |
| Aprovação de Ordens de Engenharia e de Boletins de Serviço e Revisão do Projeto e da Documentação. | |
| Estabelecimento de Critérios Para o Afastamento do Serviço. |
Também previstos no CBAe, os Requisitos Brasileiros de Homologação Aeronáutica
(RBHA) constituem a base regulamentar da atividade da Homologação Aeronáutica da
Aviação Civil no Brasil.
Mecanismos Internacionais.
Os países evoluídos em Ciência&Tecnologia ou com indústria aeronáutica
implantada, têm organismos governamentais, agindo sobre o ciclo de vida e a homologação
de aeronaves, como autoridades de direito e de fato.
No contexto interno de cada país, estas autoridades asseguram:
Nas relações internacionais, embora seja limitada ao território de cada país, a autoridade aeronáutica assume um papel fundamental para a nação, através de mecanismos que objetivam:
Ainda na esfera internacional, estes países constituem uma sociedade informal,
instituindo leis e estabelecendo requisitos administrativos, operacionais e técnicos em
comum acordo, tornando-se cada vez mais expoentes no segmento aeronáutico.
Estes países não importam nenhum tipo de aeronave ou qualquer outro produto
aeronáutico, sem antes revisar o processo de homologação feito pelo país de origem.
Nesta ocasião, exigem todas as modificações para que o produto atenda seus requisitos,
bem como todas as informações necessárias para acompanhar o seu ciclo de vida.